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terça-feira, 22 de abril de 2008

O Medo da Picadura



O Medo da Picadura

Depois de uma exaustiva viagem de avião, do Rio de Janeiro a Fortaleza. Peguei a estrada rumo a Ipueiras.
Edmilson um velho conhecido, que faz a linha Fortaleza-Ipueiras, foi apanhar-me no aeroporto em sua topic, como antes havíamos combinado.

Dei graças a Deus quando ele chegou, pois sempre pinta um probleminha em minhas constantes viagens de topic. Ou não tem mais lugar, não vai sair hoje, ou, você pode ir, mas não tem espaço para a bagagem que, diga-se de passagem, nunca é tão pequena.

Mas dessa vez tudo se encaixava direitinho. Meu filho Luiz Henrique ia no banco da frente batendo papo com Edmilson e eu, bem acomodada entre as mulheres na parte detrás.
No rádio um sonzinho legal deixava a viagem mais agradável. Entre um forrozinho e outro, um bate papo para colocar os assuntos em dia.

No decorrer da viagem íamos sendo “agraciados” com solavancos em conseqüência dos buracos que nos é concedido pelo descaso e a incompetência do poder publico. Assim sendo, cochilar, nem pensar.

Tudo bem, qualquer sacrifício é bem suportado quando a finalidade é chegar à terra amada, onde tenho minha família, minha história de vida e meus negócios.

Ainda não havíamos chegado a Canindé, santuário de São Francisco da Chagas, onde obrigatoriamente fazemos uma parada para um lanche e esticar as pernas e até para uma rezinha, quando o inusitado aconteceu:

Um grito agudo cortou o começo de noite assustando motorista e passageiros. A topic balançou de um lado para o outro quase saindo da estrada.
Adivinhe de quem era o grito? MEU!!!!!

Um cavalo-do-cão achou de fazer marmota naquele dia pousando em meu ombro. O grito que apavorou passageiros era apenas o começo da sucessão de gritos que soltei enquanto o inseto voava em minha volta
Sério! Não borrei as calças porque não tinha material disponível.
O carro andava e eu lutando com “o coisa ruim”, até que consegui pegar o tamanco e prendê-lo contra o banco do carro.

Nisso Edmilson pega o acostamento para retirar o intruso. Assim que ele para, eu tento arrumar um jeito de soltar o inseto sem correr riscos, mas ao afrouxar a pressão que eu fazia, ele novamente voou em minha direção, dessa vez o berro bateu todos os recordes.
__ Picou Dalinha?__perguntava Edmilson apavorado.
__Picou não! Mas saiu zunindo. E se veio trazer recado do diabo voltou com ele.
Só sei que o escândalo foi grande, mas o medo da picadura foi maior. Não sei se seria diferente, se o alvo fosse outra pessoa. Pois a fama do bicho não é das melhores.

Reza a lenda que ele serve de mensageiro do diabo nos rituais de magia.
Dizem também que sua picada é fatal. Picando não tem cura.
E o meu único jeito era espantar o cavalo-do-cão no grito.

lustração:fotografos.com.br

16 comentários:

Jean Kleber Mattos disse...

Dalinha, o Cavalo-do-Cão é fascinante.Há um artigo que V. pode encontrar na internet sob o título "O conhecimento etnoentomológico do cavalo-do-cão Hymenoptera, Pompilidae) no povoado de Pedra Branca, estado da Bahia, Brasil" (Por Eraldo Medeiros Costa Neto)
O nome científico do inseto é Pepsis sp. É um predador. Sempre me fascinou a caçada que ele faz às aranhas caranguejeiras. Não creio que seja tão perigoso quanto se imagina. Abração.

Anônimo disse...

Inestimável explicação do prof. Jean Kléber, não conhecia por nenhum dos nomes mas sempre achei que era mais de barulho de que causar dano a não ser susto.Quanto a crônica, Dalinha insere personagens com uma naturalidade que invejo, criando interesse pela trama. Mas um belo trabalho a ser lido e relido trabalho.

Bérgson Frota

Anônimo disse...

Inestimável explicação do prof. Jean Kléber, não conhecia por nenhum dos nomes mas sempre achei que era mais de barulho de que causar dano a não ser susto.Quanto a crônica, Dalinha insere personagens com uma naturalidade que invejo, criando interesse pela trama. Mais um belo trabalho a ser lido e relido trabalho.

Bérgson Frota

Anônimo disse...

Inestimável explicação do prof. Jean Kléber, não conhecia por nenhum dos nomes mas sempre achei que era mais de barulho de que causar dano a não ser susto.Quanto a crônica, Dalinha insere personagens com uma naturalidade que invejo, criando interesse pela trama. Mais um belo trabalho a ser lido e relido trabalho.

Bérgson Frota

Lurdinha disse...

Dalinha nós mulheres as vezes tememos e as vezes procuramos ansiosas por este "inseto" precioso. Valeu a história amiga.

Lurdinha

Anônimo disse...

Este trabalho é sobre um inseto, por favor. Mais seriedade.

O Observador

Dalinha Catunda disse...

Jean Kleber,também acho fascinante o cavalo-do-cão.Um inseto negro bonito, o nome me chama atenção e me remete ao mágico mesmo, um cavalo alado a sugerir magia.Obrigada por me indicar o artigo.E pelas informações sobre o inseto.Bérgson você também já fez um belo trabalho sobre tanajuras. Eu agradeço a elegância de seu comentário. Lurdinha, saudades de você no meu blog.Pois é amiga,há insetos preciosos e rola-bosta também, saber conviver com eles é uma arte.
Meu abraço a todos

Dalinha Catunda disse...

Sr Observador,
Agradeço seu comentário, e quero louvar sua bonita atitude em defesa
do inseto demonstrando o quão sensível você é.

Sérgio Figueiredo disse...

Minha Amiga,

Quero Agradecer-te a visita e comentário ao meu blog.

Retribuindo, entro a porta deste teu espaço e vejo caminho para uma nova Amizade.
Teu blog é bastante simpático e comentando apenas o último post, te digo...puxa, que atribulação tiveste no carro. O malvado do insecto não te largava. Bem...pelo menos não te ferrou.
Virei mais vezes visitar-te para poder ler os teus posts mais antigos e te conhecer um pouco melhor.

O meu blog principal é

"sf-mentepoderosa.blogspot.com"

Beijo Amigo

Lucivânio disse...

Dalinha acho que tem gente que tem todo o direito de gostar deste "inseto" como tem gente que não gosta, é questão democrática de gosto.

Dalinha Catunda disse...

Sergio,
O relato foi em tom de brincadeira. Mas foi um caso real.Hoje conto e acho graça, mas realmente foi uma tortura sobre quatro rodas.
Obrigada por passar em meu espaço e deixar seu comentário.
Lucivânio,
Concordo plenamente com você, a vida não teria graça nenhuma se todos pensassem igual.Fico agradecida por você passar por aqui.

Mariana disse...

Vejo muita graça em sua narrativa, acho que tem um coração gigante e puro, você vivencia a vida com narturalidade sem maldades. Parabéns pela beleza de história. Ri muito com seu grito pelo susto. Beijos.

Carlos Roberto Lemberg disse...

Minha querida Poetisa e amiga
Dalinha

Visitei este lindo recanto que você nos brinda com muito encanto.
Gostei muito do que li, confesso que não li tudo o que desejava, mas aqui estarei voltando inúmeras vezes para desfrutar da leitura de ótimos textos.
Gostei muito do texto "O medo da Picadura", muito bem narrado e com detalhes que nos esclarecem o sentido do título.
Beijos no coração

Dalinha Catunda disse...

Mariana,
Agradeço suas palavras carinhosas, fico feliz em saber que faço as pessoas sorrirem. E esse meu jeito de ser tão tenho dúvidas que é uma maravilhosa herança de quem nasceu e se criou no interior.Beijos.
Carlos Roberto,
É um prazer grande recebê-lo em meu espaço. Nós, poetas e escritores, devemos muito a você que nos hospeda no seu site, tão bem administrado.
Um abraço
Dalinha Catunda

Roubet disse...

Quando morava em Aracati-Ce, a beira do rio jaguaribe, localidade Jiqui-de-baixo, levei uma ferroada do cavalo-do-cão. Preferia que um marimbondo caboclo me ferroasse, a dor é horrivel, da um gosto de ferrugem na boca, tonteira e a vista falha. E sou acostumado desde pequeno no mato e mordidas de insetos. Mas essa é inesquecível. O recado do cão respondi: Cuidado tão querendo roubar seu rabo. rsrsrsrs
Abraços.

Sempre diferente, mas sempre eu! disse...

Que lindo! Adorei seu blog. Acho lindo como um cenário ou acontecimentos que parecem tão simples, corriqueiros, viram algo bonito quando vindo de artistas. Parabéns! Sempre gostei de coisas do sertão, coisas antigas, que me fizessem lembrar minha infância. Encontrei seu blog quando pesquisava sobre retrato lambe-lambe, sempre quiz fazer um pra min, como aqueles dos nossos avós, de bigode e terno.
Quanto ao cavalo-do-cão, já seinti dores por causa de um. Uma vez estava andando de bicicleta [muito rápido] no meu interior e desviei de um com medo de levar ferroada, levei uma queda doida e antes mesmo de sentir dor olhei pra trás pra ver se o danado ainda estava perto de min, quando me dei conta de que o suposto cavalo-do-cão era na verdade um lambe-água (libélula) fiquei puto da vida! e me ralei todo é claro. Moral da história, se um dia estiver andando de bicicleta e vir um cavalo-do-cão em sua direção, não desvie, pois a queda pode ser pior que a picada, e no final das contas pode ser só uma libélula, :)
Abraço pra você! dá uma olhadinha no meu blog, os textos são descuidados e não tão legais, mas dá uma olhada.
Abraço pra você!