
Foto e texto de Dalinha Catunda
O LUME DA LAMPARINA
Às vezes ainda pisca,
E minha mente alumia.
O facho esfumaçado
Que antigamente eu vi,
No cantinho da alcova
Que no sertão eu dormia.
Eu ficava maravilhada
Olhando de manhãzinha
Mamãe acendendo o fogo
Naquela rústica cozinha,
Nas mãos o mesmo lume
Que alumiava a noitinha.
De vidro, zinco ou de lata,
De muitos modelos era ela.
Tinha uma alça para segurar,
E um pavio enfiado nela.
Nos velhos tempos, garanto,
Ninguém abria a mão dela.
Quem um dia não recorreu
A luz de uma lamparina?
Lá dos cafundós do sertão
Eu nunca fugi dessa sina,
Já acendi e soprei muito
Seu facho quando menina.
5 comentários:
Se há coisa que ajuda a descansar a mente e a entrar em meditação é a luz tremeluzente de uma lamparina.
Um grande beijinho,
Maria Emília
Que suspiro suave fez romper em minha alma esta linda poesia.
Dalinha, passando para conferir e te dar um abraço atrasado de Feliz Páscoa.
Saudades
Re
Boa lembrança Dalinha, quando garoto estudei muito a luz de lamparina lá no meu interiorzinho. As vezes a fumaça pertubava um pouco, mas como não havia energia elétrica lá e durante o dia trabalhava, tinha mesmo era que queimar pestana à noite para pelo menos chegar onde estou hoje.
Grande abraço.
Não sou cearense, mas adoro tudo que se refere a esta terra maravilhosa.Sou professor do estado e,ao navegar pela Internet, encontrei o seu site.Fiquei coma alma em festa quando li a sua poesia "No Ceará tem disso sim".Você tem dom de mexer com o âmago das pessoas e isso me faz um admirador seu que ,a partir desse momento acompanhará de perto a sua obra.
ADOREI SEU TEXTO,MUITO BOM RELEMBRAR OS TEMPOS DE CRIANÇAS. BJOS MARY
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