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domingo, 31 de maio de 2009

A VOLTA DO SERTÃO




Nas fotos meu divertimento e meu descanso.

Meus amigos (as),
Antes de falar da minha volta, quero agradecer o carinho dos que continuaram passando por aqui. Obrigada aos novos seguidores, aos novos amigos que fizeram seus comentários neste blog e aos amigos de sempre que já possuem vaga cativa.
Meu muito obrigada e meu abraço carinhoso a todos

A VOLTA DO SERTÃO

O Carão cantou, a asa branca voltou e eu como não sou besta, nem nada, fui dar uma espiada em meu sertão.

Nunca vi tanta chuva, nunca vi tanta água molhando meu Ceará. Para falar a verdade, acho até que São Pedro errou na mão, e tacou água foi sem pena mesmo.

Aqui com meus botões, fico pensando... Como andará passando tatu e preá com as locas encharcadas? É um tal de bode se esconder, que só vendo. Já os patos... Estão em festa. Até cobra engolindo rã andei vendo por lá.

As estradas se acabaram, as aulas foram suspensas e a chuva não deu trégua.
Até o ultimo momento que passei em Ipueiras, foi debaixo d’água.

Dizem que há muitos anos não acontecia um inverno tão rigoroso.

Apesar das intensas chuvas, minha viagem foi uma maravilha.
Comi: milho verde, feijão verde, maxixe, meu café da manhã era com tapioca lambuzada com manteiga da terra. Comi muito baião-de-dois de feijão novo e com bastante queijo, entre outras iguarias que nos traz a estação das águas.

Matei o desejo de tanto comer fruta-do-conde, nossa ata, e pinha para outros.
A ata era colhida num pé que foi plantado na porta de minha casa, ele resolveu me abastecer de suculentas frutas nesta minha temporada.

O melhor de tudo foi tomar banho no rio que passa dentro de minha propriedade, com a meninada. Uns chamam o rio, de Timbó, outros de Cadoz. Bom, o certo, é que o rio desce da serra grande e deságua no Jatobá e vai ganhando o nome dos lugarejos por onde ele passa.

Senti-me uma piaba, uma criança e dona de uma felicidade imensa, que não saberia traduzir com palavras.
Posso afirmar para meus amigos que voltei de alma lavada e renovada com este banho de interior.

A caatinga renascida, esverdeada, mandacarus com seus frutos vermelhos, a variedade de flores formando um tapete colorido, as borboletas com seus vôos matinais, a passarada comendo melão Caetano que subiam pelas cercas, tudo isso faz parte da paisagem nordestina renovada com as chuvas e que tanto me encanta nesta época.

Apesar de ter passado uma temporada maravilhosa, Com fartura e sem riscos, não posso omitir a calamidade que se abateu sobre o Nordeste e a sina triste que padece essa região. Ou sofremos com a seca, ou somos destruídos pelas águas exageradas.

sábado, 9 de maio de 2009

Mãe Solteira




Foto:pat.feldman.com.br


MÃE SOLTEIRA

Não foi descaramento,
Nela não havia maldade.
Apenas impulsos, arroubos,
Sintomas da pouca idade.
Ovelha negra era agora
Na boca da sociedade

Sua barriga crescia,
Seu vestido encurtava,
Sua cintura antes fina,
Dia a dia engrossava,
E o filho feito a dois
Sozinha ela carregava.

Seguiu firme sua sina
Carregando barriga e dor.
Lembrava da mãe de cristo
Que pelo seu filho lutou.
E entregava seu destino
Nas mãos do seu redentor.

E em momento nenhum,
Seu ato a envergonhou.
Com o nariz empinado,
A caminhada continuou.
Segurou firme nos braços,
O que o ventre lhe ofertou.

Boa mãe é com certeza,
E a outro filho deu a luz.
Continua mãe solteira,
Sem achar que é uma cruz.
Sem dizer amém as regras
Que a sociedade produz.

Apontada como exemplo,
De mãe bem sucedida,
Pelos que antigamente
A chamavam de perdida.
Ela sorri ironicamente
Das voltas que dá a vida.

Amigos viajo hoje para o Nordeste, passarei o restante do mês de Maio.
Deixo o blog com postagens sobre mães. Repetirei : Mãe Solteira, poema que gosto muito e tem muito de mim.
Meu abraço carinhoso a todos e Feliz dia das mães a todas as mães

quarta-feira, 6 de maio de 2009

DE MÃE PARA FILHO


Imagem: 1.bp.blogspot.com/.../Menino+Jesus+e+Maria.jpg
DE MÃE PARA FILHO

Meu filho quando nasceste,
Vieste num facho de luz.
Parecia um anjo encarnado
Com ar de menino Jesus.

Abriguei-te em meus braços.
Amamentei-te com emoção.
Lágrimas de amor brotaram,
Fez festa meu coração.

És um presente divino,
Ou mesmo uma loteria.
Ao embalar-te em meus braços,
Embalo também a alegria.

Fico triste quando choras.
Alegro-me quando sorris.
Ah! Às vezes me aborreço,
Quando fazes cocô ou xixi.

Mas sou uma mãe encantada,
Com este fruto do amor,
Que veio trazendo magia,
E encheu minha vida de cor.

À MINHA MÃE



Estas rosas foram roubadas do jardim de Tereza Mourão. Eu ofereço com todo carinho a minha mãe e todas as mães que frequentam este cantinho. O Dia das mães é só todo dia.

À Minha Mãe

Minha mãe estou distante,
Mas em mim nada mudou.
Conservo em meu coração
Lembranças do que passou.
Do lado esquerdo do peito
Guardo carinho e respeito
Que você, mãe, conquistou.

Lembro-me com saudades,
Daqueles tempos antigos.
Eu menina astuta e levada
E você brigando comigo.
Quantas surras eu levava,
E aí era que eu aprontava
Não tinha medo de castigo.

No fundo eu bem sabia,
Que tinha sua proteção.
Os castigos e as surras
Soavam como correção
Em cima desta menina
Que mesmo tão traquina,
Tinha um bom coração.

Saudades sinto muitas,
Ás vezes fico perdida.
Tentando em vão imitar
O sabor de sua comida.
E daquela boa comidinha...
Nunca mais sua Dalinha
Vai esquecer nessa vida.

Você já passou dos oitenta
Mas ainda briga pela vida.
Seus ombros estão arreados,
Anda um tanto esquecida,
Mas ainda faz versos e canta,
E por tudo isso me encanta,
Minha velhinha querida.

Hoje também sou mãe,
Tenho minhas obrigações.
Somente agora entendo
As suas preocupações.
Pois pelos filhos que pari
Já chorei e também sorri
Em tempos de emoções.

terça-feira, 5 de maio de 2009

A CHAVE DO CORAÇÃO


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A CHAVE DO CORAÇÃO

Tio Benedito andava meio adoentado. Apesar de chás e garrafadas não se via melhora. Acharam por bem levar o homem à benzedeira, mesmo assim ele continuava definhando.

Bom, do jeito que o pobre tio se encontrava, o jeito era levar ao médico.
E o medo que a saúde piorasse? O sujeito não gostava de gastar um tostão!
E o médico custava dinheiro. Deu-se um jeito, arranjaram uma ficha na prefeitura e ele conseguiu ser atendido num posto de saúde.

O certo, é que a coisa era grave e o doente teria que ser removido para a capital. O que foi feito contra sua vontade, mas com o aval da família.

Chegando à Capital constatou-se que ele deveria ser operado. Sem plano de saúde, sem vontade de gastar, e sem poder reagir, mesmo sem querer, foi para sala de cirurgia.

Pois não é que a operação foi um sucesso! Mas como o que é bom dura pouco... Complicações pós operatórias... O operado bateu as botas!

Foram dar a noticia aos filhos: __Sinto muito, o pai de vocês passou dessa para melhor. O filho mais novo respondeu: __ Se ele não tivesse morrido da cirurgia, ia morrer do coração, pois não sobreviveria se soubesse o preço da operação

Há quem afirme que o motivo real do óbito, foi justamente uma conversa que ele ouviu sobre as despesas, com o hospital, quando achavam que ele estava ainda sedado.

Fazer o quê? Era pegar o falecido, levar de volta ao lar, velar, enfim, levá-lo a sua última morada com dignidade, até porque ele não poderia dar seus palpites quanto o desenrolar do velório. Porque se pudesse, garanto que era enterrado numa rede com um pau no meio.

Para falar a verdade, foi um velório e tanto. Farto mesmo! Teve: caldos, biscoitos, café e até sucos, e uma cachacinha que é de praxe. Como todos os velórios, teve também suas lamúrias.

A filha mais velha, na hora da saída do caixão gritou: “Ô PA PAI ZIM DO CÉU, O SENHOR LEVOU A CHAVE DO MEU CORAÇÃO!”E em seguida foram gritos, choros, que comoveu muita gente, muitos até aproveitaram o embalo para chorar junto.

A Consternação foi quebrada quando o irmão mais novo outra vez soltou a língua: --Tomara que ele não tenha levado é a chave do cofre senão... vai dar um trabalho danado!

Que Deus o tenha na Santa paz, tio...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

MEL, O DOCE GATINHO


Publicado ariginalmente no Diário do Nordeste em 03/05/09

MEL, O DOCE GATINHO

Tudo aconteceu num dia chuvoso de céu escuro. Foi neste dia, que uma luz surgiu na vida de Mel, mudando definitivamente sua triste sina.

Mas quem é Mel?

Mel é um lindo gatinho branco que mia diferente, como se a todo instante pedisse mel.

E foi por esse motivo que ele ganhou o nome.

O gatinho, além de miar cada vez que se mexe em comida na cozinha, adora dormir.

Quando o sono chega, ele se dirige à sua caixinha que fica num canto da cozinha. Dormindo, é a coisa mais linda do mundo! Já o vi dormindo até sentado.

O doce gatinho branco é muito limpo e toda vez que quer fazer suas necessidades, vai procurar um lugar onde ele possa cavar e enterrar cuidadosamente as suas fezes.

Ele tem um arzinho carente e não poderia ser diferente. É lógico que ele não caiu do céu, nem nasceu do nada. E como ele chegou até seu novo abrigo? É isso que vou contar agora:

Um humilde agricultor que passava pelas margens de um rio para cuidar do seu roçado, ouviu um barulho estranho e começou a olhar em volta. Redobrou sua atenção para tentar descobrir o misterioso barulho que vinha de um dos lados do rio.

Andou para um lado, para o outro e conseguiu ouvir mais de perto. Pelas suas conclusões, apesar de muito fraco, eram miados de gato. Mas, onde estaria enfiado o danado deste gato que apenas miava sem aparecer? Estaria enganchado nos arbustos espinhentos que eram comuns naquela região? Ou apenas miava procurando sua mãe?

Continuou a procurar e quase caiu, ao tropeçar num saco.

O saco estava se mexendo; o agricultor, cuidadosamente retirou o nó, e lá de dentro viu sair um lindo e assustado gatinho branco, tão assustado e fraco, que nem força para fugir ele teve.

Quando o agricultor chegou à sua casa com aquela criaturinha cor de algodão, a criançada fez uma festa danada, até brigavam para ver quem ficava com o gatinho mais tempo no colo.

E o que era estorvo em uma casa, tornou-se alegria em outra.

Muitas vezes, é no coração das pessoas mais simples que a bondade faz morada.

E foi assim, pelas mãos de um homem simples, que Mel ganhou uma nova moradia e foi salvo da maldade de pessoas sem coração que descartam os animais quando deveriam protegê-los.

Texto de Dalinha Catunda

domingo, 3 de maio de 2009

O SERTANEJO


Imagem:Xilogravura de J. Borges

Hoje dia 03 de maio é o dia do sertanejo. Eu como, Nordestina, cearense do sertão ipueirense, presto, com muito prazer, minha homenagem ao SERTANEJO.

O SERTAJEJO

O Sertanejo quando sai
Do seu querido torrão,
Só sai porque necessita,
Sai porque tem precisão.
Se fosse mesmo por gosto,
Jamais deixaria seu chão.

Nos alforjes carregados
Transporta tristeza e dor.
Saudades da lua cheia,
Das noites no interior.
Do amanhecer do dia
Com galo despertador.

Com olhos marejados,
Lacrimeja de emoção.
Quando escuta no rádio
Ou mesmo na televisão,
Canções que antes ouvia
Em seu saudoso sertão.

Dói na alma dói no peito,
É bem grande a emoção,
Do “sertanejo que é forte”,
Mas vira menino chorão,
Se sente a saudade telúrica
Batendo em seu coração.