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terça-feira, 13 de setembro de 2011

EM IPUEIRAS E NO RÁDIO



EM IPUEIRAS E NO RÁDIO

Estive em Ipueiras durante o mês de agosto e como sempre acontece, acabo participando de programas de rádio. Talvez por ser interiorana de nascimento e por gosto, tenho grande apreço por esse meio de comunicação que ainda predomina, principalmente, nas cidades do interior.

Em pleno sábado, dia de feira, estava eu ao lado do radialista Max Weber Holanda emendando um papo de quase uma hora sobre cordel.
Max Weber, como todo bom radialista, estava bem informado sobre a literatura de cordel e fez perguntas dentro do contexto, perguntas que elucidavam a curiosidade dos ouvintes.
Declamei alguns poemas que fazem parte do meu recital: Sertaneja, Sim Senhor! E saí de lá muito contente com a repercussão da entrevista.

Quero agradecer, a Carlos Moreira radialista da Vox FM que foi quem sugeriu a entrevista e quero agradecer também ao radialista Max Weber que me deu a oportunidade de falar sobre cordel para o povo de minha terra e adjacências.
 Texto e fotos de Dalinha Catunda
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terça-feira, 6 de setembro de 2011

OUTRA PÁTRIA


OUTRA PÁTRIA

Amar com fé e orgulho,
A terra em que nasci.
Aprendi inda na infância,
Nas poesias que li.

Ó minha pátria sagrada,
Cadê teus encantos mil?
Poluído e acinzentado,
Vislumbro teu céu de anil.

Teus rios, mares, florestas,
Sofrem sem preservação.
Na natureza sem festa
Impera a devastação.

Boa terra jamais nega,
A quem trabalha seu pão.
Por que fazer nosso pobre,
Parasita da nação.

Sonegando-lhe trabalho,
Humilhando o cidadão.
Que recebe bolsas, vales
Deixando orgulho no chão.

Quem não vive do trabalho,
Do suor, da sua mão,
Não pode ter amor próprio,
Nem orgulho da nação.

Como imitar a grandeza,
Dessa terra em que nasci.
Se o exemplo lá de cima
Na verdade inda não vi.

Por isso eu digo e repito,
Dirigentes da nação.
Primeiro dêem exemplo
Depois cobrem ao cidadão.

O que li de Bilac é,
Só passado vejo agora.
Minha pátria hoje é outra.
Tenho saudades d’outrora. 
*
Texto de Dalinha Catunda
Ilustração do brasilescola.com
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domingo, 4 de setembro de 2011

Gerardo Mello Mourão e Anselmo Vieira

Gerardo Mello Mourão


GERARDO MELLO MOURÃO E ANSELMO VIEIRA

Gerardo Mello Mourão embora universal não deixou de cantar seu sertão e sua gente em prosa e em versos em sua trajetória literária.

Muito me orgulho de ter privado da amizade deste poeta e escritor que com toda erudição que carregava em seus alforjes, pois falava nove idiomas entre eles o grego, soube falar com singeleza das coisas do sertão o que notadamente ficou registrado no seu livro “Rastro de Apolo” e em tantos outros livros de sua autoria.

Para o deleite do leitor que gosta do bom versejar, pincei do livro de Gerardo Algumas sextilhas onde ele cita os cantadores nordestinos entre eles Anselmo Vieira de Sousa.

“Há cantadores famosos
Nas feiras do Cariri,
Jacó Alves Passarinho
De Mutamba, Aracati,
Há Romano de Mãe d’Água,
Sinfrônio do Jaboti.
*
Azulão em Pernambuco
E Inácio da Catingueira,
Serrador, Cego Aderaldo
E mais Anselmo Vieira
Que foi o melhor de todos
Por ser filho da Ipueira.
*
Na viola e na rabeca
Eu também sou cantador,
Mas somos pobres mortais,
Eu, Anselmo ou Serrador,
Não vamos desafiar
Apolo, Nosso Senhor.”
*
 Anselmo Vieira de Sousa é filho de Ipueiras, e foi, segundo o próprio Gerardo, referência para ele. De Anselmo, são poucos registros na história dos cantadores nordestinos. Em minhas pesquisas, o que li sobre o mesmo foi no livro “Cantadores” de Leonardo Mota e nas entrevistas e livros de Gerardo.

Ser filha de Ipueiras e navegar nas ondas poéticas do popular Anselmo Vieira e do culto Gerardo Mello Mourão é uma honra sem tamanho.
*
Texto: Dalinha Catunda.
Foto de Anselmo retirada do livro Cantadores de Leonardo Mota.
Foto de Gerardo Mello Mourão retirada do: flickr.com
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Leonardo Mota e Anselmo Vieira

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

LEVANDO FUMO

Você quer mesmo fumar?
Pode fumar, meu irmão!
Porque quem vai se lascar,
De verdade é seu pulmão.
Se você quer levar fumo
Pode seguir o seu rumo
Que não vou gastar sermão.
*
Uma coisa só lhe peço,
É que se afaste de mim
Não vou fumar por tabela
Para ter o mesmo fim
Você fuma por prazer
E nunca vai entender
Que isto pode ser seu fim.
*
Pode queimar seu dinheiro,
Acabe com sua saúde
Porém acho incoerente
Este tipo de atitude
Amigo não leve a mal
Com certeza seu final
Será mesmo um ataúde.
*
Texto: Dalinha Catunda
Foto da internet
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

SOU FILHA DO REI


SOU FILHA DO REI
*
Nasci na terra da luz
Pegando sol na moleira
Tomando banho de açude
Pulando da ribanceira
Brincando de tibungar
Nos rios do meu lugar
Na meninice brejeira.
*
Em noite de lua cheia,
Sob o luar do sertão
Serenatas escutei
Nos acordes da paixão
Presente de namorados,
Poéticos, apaixonados,
Escravos do coração.
*
Feliz eu era e sabia
Nas terras de Alencar
No leque da carnaúba
Ouvia o vento cantar
Assobiando bonito
No entre palmas o agito
Formando um grácil bailar.
*
Nasce detrás de um serrote,
O rei sol na minha terra,
Mas na boquinha da noite
Quanta beleza ele encerra
Com a sua vermelhidão
Tinge de rubro o sertão
E se esconde atrás da serra.
*
No sertão do Ceará
Eu nasci e me criei.
Já andei por muitos reinos
Mas lá sou filha do rei!
No condado de Ipueiras
Depois de romper barreiras
Meu palacete montei.
*
Fotos do por-do-sol no meu sítio em Ipueiras Ceará.
Texto e fotos de Dalinha Catunda

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

REDE NO ALPENDRE


REDE NO ALPENDRE
*
Uma rede num alpendre
E um ventinho sedutor
Vento que vem do açude
Para abanar meu calor
São delícias que desfruto
Quando estou no interior.
*
Vejo o voo das marrecas
Em bando ao entardecer
Num mágico ritual
Girando antes de descer
Para pernoitar nas águas,
Como costumam fazer.
*
No balançado da rede
No sertão é lindo ver
O fim do dia chegando
Com o sol a esmorecer,
Cedendo lugar a lua
Que não tarda a aparecer.
*
Um bando de pirilampos
Bordando a escuridão
Enriquecem o cenário,
Das noites do meu rincão
Da minha rede eu vejo
Quão mágico é meu sertão!
*
Texto e foto de Dalinha Catunda 

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

RETRATO NORDESTINO

democritoartistaplastico@gmail.com
Retrato Nordestino
*
Uma estradinha de barro,
Um jumento e um menino.
Uma porta uma janela,
Num céu nublado atino.
Diga-me se não é bela
A bucólica aquarela,
Do nosso chão nordestino.
*
Texto de Dalinha Catunda
Tela do artista plástico Demócrito Borges

Estação Cordel - Palmas


ESTAÇÃO CORDEL – PALMAS – TO

A Estação Cordel na FLIT, Feira Literária Internacional do Tocantins,
Foi parada obrigatória para os amantes da cultura popular.

O cordel teve seus dias de Gloria na praça dos girassóis com a presença de muitos cordelistas vindos de diferentes partes do Brasil.

Uma platéia calorosa, bem participativa completava o espetáculo nas sucessivas noites em que o cordel se fez presente em Palmas.

Em minha opinião, a receptividade que tivemos deve-se ao grande numero de nordestinos que habitam aquela região e lógico, que pela qualidade das apresentações que casaram muito bem com o gosto do público.

Muitos queriam tirar fotos, comprar folhetos ou simplesmente dizer: - Olha eu sou da terrinha!
Se eu já havia me encantado no primeiro momento com o convite, encantei-me muito mais com o desenrolar dos acontecimentos.

Sem querer puxar a brasa para minha sardinha e já puxando digo: - Sinto-me envaidecida com os aplausos e a aceitação do publico que muito contribuiu para que eu me soltasse no palco levantando a bandeira da mulher cordelista, participativa e nordestina.

Aqui deixo meus mais sinceros agradecimentos, pela acolhida, pelos aplausos e pelas alegrias por mim vividas em terras tocantinenses.
*
Texto e fotos de Dalinha Catunda

Escolhi três fotos para ilustrar esta postagem:
A primeira dando andamento ao meu recital: Sertaneja, Sim Senhor!
A segunda conhecendo o palco onde eu atuaria.
A terceira a inesquecível platéia



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O REI GONZAGA

O REI GONZAGA
*
Luiz Gonzaga partiu
Mas ficou no coração
Deste povo nordestino
Que povoa esta nação
Ao ser proclamado rei
Defendendo sua grei
Reinou em todo sertão.
*
O canto do rei Gonzaga
É sagrado é oração
É um canto envolvente
Enaltecendo o sertão
O povo traz na memória
E não esquece a história
Do rei único do baião.
*
Nos programas matinais
Que animam o interior
Luiz Gonzaga inda é astro
Na boca do locutor
E canta dia após dia,
Seu canto de alegria
Mostrando seu esplendor.
*
Se dizem que quem foi rei
Nunca perde a majestade,
O velho lua confirma,
Que realmente é verdade.
O nosso cabra da peste
Será sempre o rei agreste
Um rei que deixou saudade.
*
Texto Dalinha Catunda
Foto:mpbnet.com.br
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Estação Cordel encerra fim de semana empolgando o público

A “abelha que faz mel sem esquecer o ferrão” abriu a noite deste domingo, 31, animando o público que lotou a Estação Cordel, na FLIT. O trecho da poesia faz parte do recital da cearense Dalinha Catunda, que iniciou a noite no espaço dedicado a esse segmento da cultura nordestina, dentro da FLIT.
Em sua apresentação denominada “Sertaneja, sim senhor”, a cordelista falou sobre a migração do nordestino. “Nos alforjes carregados, transporta tristeza e dor, saudades da lua cheia, das coisas do interior...”. Dalinha também mostrou em versos rimados sua percepção da natureza: “A brisa que me acaricia, meu corpo todo arrepia, e eu invoco você a participar desta dança, do vento e mulher criança, antes do anoitecer.”
A aceitação do público foi tamanha que Dalinha afirmou estar se sentindo no Nordeste. “Cordel é povão, é alegria e é isso que as pessoas do Tocantins tem demonstrado pelo nosso trabalho”, disse a cordelista. Prova disso era o motorista Vilnei Moreira, que também é músico. Evangélico, mas com um trabalho musical de uma proposta diferente, o chamado “Cowboy de Cristo” disse se inspirar no cordel. “É divertido escutar e me traz novas ideias”, afirmou.
A noite de domingo terminou na Estação Cordel com o recital musical “Cordelinho”, de Chico Salles. Também numa proposta bem humorada, o paraibano relembrou sua terra cantando, junto com o público, “Masculina”, e ainda falou da morte de uma maneira bem diferente. “Cordel é isso: o poder de resumir bem uma história e ainda divertir”, disse.
As apresentações na Estação Cordel continuam nesta segunda-feira, 1º, a partir das 19h

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