Seguidores

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O HOMEM QUE PERDEU A ROLA



O HOMEM QUE PERDEU A ROLA

Ao Tuca pedi licença,
Pra sua história contar.
É fato não brincadeira
O que tenho pra narrar.
Esta tragédia, amigos,
Foi mesmo de amargar.

Este Caso sucedeu
Em Ipueiras Ceará.
E fez minha cidade
De tristeza até chorar.
A cidade combalida
Nunca viu tanto pesar.

Todos conhecem Tuca,
Nem precisa apresentar.
Dono de um restaurante.
Que é muito popular.
Comerciante querido,
Tem o dom de agradar.

Tuca era muito feliz,
Com filhos e sua mulher.
Também tinha sua rola,
Que sempre estava de pé,
Não largava sua pomba
Um instantinho sequer.

Não sei se foi mau olhado,
Praga ou coisa assim.
Só sei que sua alegria.
De repente teve fim.
O homem perdeu a rola,
Meu Deus que coisa ruim!

Ipueiras toda chorou
Foi grande a comoção.
Não era uma rolinha,
Na verdade era um rolão.
Muita gente importante,
Já tinha passado a mão.

A mulher soluçava
Abraçada ao marido.
E ele se lamentava
Por a rola ter perdido.
Tudo virou tristeza,
Depois do acontecido.

Quando era à tardinha,
Na hora da ave Maria,
Tuca pegava sua rola
Com jeito recolhia,
E agradecia aos céus.
A rola que possuía.

Sua querida esposa,
Entrou numa depressão
Pois sua maior alegria
Era ter a rola na mão.
Ela chora de saudades
Pela rola do patrão.

Tuca perdeu a alegria
Perdeu a satisfação.
Vivia coçando a rola
Por debaixo do balcão
Sem rola e sem alegria
É grande a aflição.

Amigos afagavam
Aquela rola singela
Tuca sempre exibia
Pondo ela na janela.
Era uma boa atração
Todos gostavam dela.

Muita gente chorou
É a mais pura verdade,
Homem que perde a rola
É digno de piedade.
Tem uma vida vazia
Perde a felicidade.

A história dessa rola,
Ainda não acabou.
Não estou de sacanagem,
E lhes peço, por favor.
A rola é um passarinho,
Não o que você pensou!

O martírio dessa rola,
Foi de cortar coração.
Um dia Tuca encontrou
A pomba ferida no chão.
E tratou do passarinho,
Que virou de estimação.

A rolinha vivia solta,
Andando pra lá e pra cá
No ombro de Tuca ela,
Gostava de passear.
Era bem interessante
Era mesmo de admirar.

Até hoje não se sabe,
O que de fato aconteceu.
Se ela foi atrás de Tuca,
E no caminho se perdeu.
Ou se ela foi roubada
Por um infame ateu

Só sei que a rolinha
Foi e deixou saudades.
A família e os amigos
Gostavam de verdade,
Da graciosa rolinha
Que era a novidade.

Tuca perdeu a sua rola,
Porém ganhou um cordel.
Quem pensou em sacanagem.
Não fez bonito papel.
Peço desculpa ao Tuca
Se no relato fui cruel.

Amigos,
Este é um cordel de minha autoria que ainda está na gráfica mas já estou apresentando aos amigos que gostam desse tipo de literatura. Eu tenho paixão pela cultura popular. Principalmente pelas histórias típicas do Nordeste que quase sempre resultam e cordéis engraçados.
Meu abraço a todos Dalinha Catunda.

Cordel de Dalinha Catunda.
Capa: Xilo de Erivaldo.

18 comentários:

Chica disse...

Que coisa mais linda e boa de ler com esse duplo sentido.rsrsr Legal!Parabéns!beijos,chica

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Adorei a criatividade e o duplo sentido. Perfeito!

Rosário Pinto disse...

Dalinha, ai vai a minha resposta à rola do Tuca, pois também perdi uma rolinha, que criava solta, pois gaiola me lembra Assum Preto e... ai, eu choro...

A ROLA DA RÔ
*
Dalinha, se eu tivesse
Uma rola igual ao Tuca,
Certamente não estaria
Metendo mão em cumbuca
A minha levantou vôo,
E sumiu de forma brusca.
**
Agora, vivo nos cantos,
E sempre a procurar
Nova rolinha bonita
Para eu poder criar,
E no meu computador
O seu retrato postar.
***
Depois que perdi aquela
Rolinha afeiçoada,
Não largo da internet
Pesquiso sem achar nada!
Mas outra vou encontrar
Nem que seja a pelada.
****
Uma rolinha elegante
Magrinha e poderosa
Não poria na gaiola
Isto é caçada perigosa,
Mas se eu conseguir uma
Vou ficar é orgulhosa!
*****
Amiga, agora paro,
De em tanta rola falar.
Quero sair desse rolo
Louca eu não vou ficar,
Quando uma rola se vai
Outra pega seu lugar.

(Maria Rosário Pinto)
Rio, 31/05/2010

Valter Montani disse...

Quem perde a rola de estimação não esquece mais não.
Minha querida Dalinha, não tem coisa mais triste do que perder o bixinho de estimação, o homem perdeu a rola e a perereca da vizinha que estava presa na gaiola,pela brecha fugiu. bjs

João Alberto disse...

Parabéns Dalinha! Uma bela e bem narrada estória. Meus sentimento ao Tuca que ficou sem a sua Rola. Rsrsrs.
Grande abraço.

Anne Lieri disse...

Dalinha,que maravilha de cordel!Muito divertido e ao mesmo tempo,triste,mostrando a dualidade do cordel!Parabéns,amiga!Bjs,

. disse...

Você, Dalinha, é inconteste
Cordelista de primeira
Escreve que nem uma peste
De pé, deitada... na cadeira
Cantando de leste a oeste
O agreste das Ipueira.

Tem as oiça apurada
Pro elogio e pra mesura
Pra lá de fina, educada,
Mas se precisar você jura
não gostar da “frescura”
da elite empavonada
de cifrão e falsa cultura.

“Escorregou”- tem confronto -
Não escapa nem a poeira
Sempre tem um mote pronto
guardado na algibeira
Pra denunciar sem desconto
Quem faz suas “besteira”.

Num qualquer raiar do dia
Em outro instante qualquer
Continuo essa apologia
a esta grande mulher
que é toda poesia!
Quer as prova, quer?
Pois siga este guia (1)
Veja se o que disse, não é!

(1) http://cantinhodadalinha.blogspot.com

Pedro Monteiro disse...

Amiga Dalinha parabéns, a cultura popular pede passagem!

Dalinha eu aqui estou
Pra lhe parabenizar
Por mais este lançamento,
E quero reafirmar:
Nossa amizade é tão grande
Como a imensidão do mar.

Santa Cruz disse...

Oi Menina: Linda mesmo muito lindo essas histórias da gente são sempre bonitas Gostei imenso, Lindissimo:
Um Beijo
Santa Cruz

Jean Kleber disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo Aragão disse...

Amiga Dalinha, que história louca!
Confesso que só pensei no que não presta. Seu senso de humor e habilidade para transformar o que observa em versos são inabaláveis. Grande abraço, madrinha. (Ricardo)

Geraldo Brito (Dado) disse...

Maravilhosa é a literatura de cordel!
Saudações e parabéns pelo blog!

Jean Kleber disse...

Dei boas risadas. O estilo é típico das brincadeiras poéticas do Nordeste Brasileiro. Parabéns, amiga!

Antonio Nahud Júnior disse...

www.cinzasdiamantes.blogspot.com

O meu blog é uma revista digital mensal em busca de um panorama do pensamento artístico. Convido-a para conhecê-lo.

Grato. Um abraço,
ANTONIO NAHUD JÚNIOR

José Sousa disse...

Fiquei deslumbrado não só com seu blog, como também pelas suas postages, maravilha!!! Lindo poema, gostei
Conheça os meus em:
www.congulolundo.blogspot.com
www.queriaserselvagem.blogspot.com

Um abração do tamanho do mundo.

Nelcima De Morais disse...

OI, Dalinha! Fiquei encantada com o cordel. Foi uma delicia ler a rola do Tuca e a de Rô. bjos!. acho que vou postar no meu blog, junto com a do pinto apimentado para darmos boas gargalhadas.

Anônimo disse...

Dalinha, parabéns pelo Cordel. Bjs Lucilene.

Anônimo disse...

Dalinha parabéns pelo Cordel. Bjs Lucilene.