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segunda-feira, 14 de março de 2011

BABADOS NO CORDEL

BABADOS NO CORDEL
1
O cordel vestindo calça,
No Nordeste apareceu.
A mulher apaixonou-se
Tal paixão não escondeu.
E pegou logo o cinzel
Esculpindo seu cordel,
Belos versos escreveu.
2
Foi assim que floresceu,
Cordel de saia também.
A mulher faz seu cordel
Com a manha que já tem.
Incansável na labuta,
E naturalmente astuta,
Do homem não fica aquém.
3
E por querer competir,
E pensando em ser parceira
A mulher pega a estrada,
Sem ter medo da poeira.
Faz de igual para igual
A  peleja virtual
Na arte é aventureira.
4
O cordel já não é mais
O tal clube do Bolinha
Pois encarando as cuecas
Vejo um monte de calcinha
Tudo no mesmo varal
Sem balanço desleal
Enfrentando a mesma linha.
5
Enquanto faz o café
E cozinha seu feijão
A mulher vai matutando
E criando a oração
E assim faz o seu cordel
Passando para o papel
Pedaços de criação.
6
Às vezes deita na rede
E olhando a Luz do luar.
Cria versos tão bonitos,
Que chega a se admirar
Diante da inspiração,
Se entrega de coração,
Ao labor de versejar.
7
E de fuxico em fuxico,
A trama ganha teor.
No alinhavo dos versos,
Põe arremate de amor
Fazer versos virou vício
E sem muito sacrifício,
Tem como ofício compor.
8
Entre um afazer e outro
Explode sua criação,
Tem sempre um novo babado
Em sua combinação
Entre a seda e entre a chita
Sem nunca ficar aflita
Eleva sua construção.
9
A internet foi chegando
Causando revolução,
Abrindo para a mulher,
Um novo campo de ação
Morada da liberdade
E com versatilidade.
Mostra sua evolução.
10
Aprendeu bem a glosar
Se utilizando da mão,
E com os dedos faz arte
Chamada digitação.
Neste mundo virtual
Navegar é natural
Nas marolas da emoção.
11
Tira rima da cabeça
Para fazer o seu mote
Faz com a simplicidade
De quem tira água do pote
Nordestina e internauta
Caprichosa e não incauta
Versos tem é um magote.
12
É bem certo que a mulher
No ato de concepção
Fica prenhe de palavras
Só vê uma solução,
A de parir poesia
Buscando com alegria,
Ter boa penetração.
13
Eu bem sei que entre um batom,
Uma escova e um bom trato
Em folhetos de cordel
A mulher põe seu retrato
Pois sabe fazer bonito
Bota graça em seu escrito
E  nunca deixa barato.
14
Sempre se diz aprendiz,
Mas fingindo ser modesta,
E tem delas que encaram
Qualquer marmanjo de testa,
Vão impondo assim respeito
E conquistando o direito
De fazer a sua festa.
15
Às vezes faz uma fita,
Para chamar atenção.
Sempre tem carta na manga
Mas descarta a mangação.
Por gostar de parceria
Demonstra sua alegria
E brilha na atuação.
16
O cordel sem a mulher
É Adão sem sua Eva,
É o planeta sem o sol
Onde tudo é breu e treva.
É comida sem ter sal
Amigo não leve a mal,
É serra que nunca neva.
17
A mulher rasgou o véu,
E acabou com ditadura
E não foi só no cordel
Mas em toda conjuntura
Totalmente liberada
Enfrenta qualquer parada
Pois tem jogo de cintura.
18
E quando é alfinetada,
Nunca dá muita atenção.
Sendo olhada de soslaio
Empina o nariz então.
Mágoa não vive guardando
Sua anágua vai rodando,
Sempre em movimentação.
19
A mulher pede passagem
Pois soube tecer caminhos
Na conquista da igualdade
Teve flores e espinhos.
Na base do não me calo!
Hoje ela canta de galo,
Não fica chocando ninhos.
20
A mulher para o cordel
É ótima aquisição.
Seria triste e cruel
Manter apenas varão
Vejo o cordel lá no alto,
E a mulher com o seu salto
Fazendo revolução!
21
Este cordel é mais um
Entre outros que virão
Nele botei meu tempero
Não sei se eu errei na mão
O meu nome é Dalinha
Vou seguindo minha linha
Sem temer opinião.
*
Cordel de Dalinha Catunda

9 comentários:

Tereza Mourão disse...

Bravo amiga, vc como sempre bombando em tudo que faz. Adorei este cordel, e seu tempero está o máximo. Sucesso sempre. Bjos no seu coração e um excelente bommmm diaaaa!

chica disse...

Etcha coisa linda! Dalinha mnostrando que o CORDEL é de Saia também!Lindo! beijos e tua interação ficou linda e já está no lugar!beijos,chica

UMA ACORDA DE CORDEL disse...

Olá Dalinha, você não mais supreende, você trilha com destreza pelos meandros de nosso poesia popular que é tão rica em assunto e detalhes, assim como a bem você retrata. Por isso que disse que não é mais supresa a construção de tão belas POESIAS.
Uma fábula de abraços...
José Augusto

Fatita Vieira disse...

Dalinha,

Obrigada pela visita e o comentário deixado no meu blog.

Além de postar no blog o cordel de Nelcimá, ainda mandei para cerca de 100 correspondentes e para duas listas de discussão das quais participo.

Breve farei a mesma coisa com a sua peleja com Rosário Pinto ou outro da sua leva, que acharei aqui. Aguarde!

Abraços!

Vieira Calado disse...

A voz do povo!

São sempre interessantes

estes versos-

Bjsss

Anne Lieri disse...

Dalinha,esse seu cordel é maravilhoso1Que grande dom vc tem!Eu adorei essa homenagem a mulher!Bjs,

joaquim da rocha disse...

Quanta imaginação em amiga Dalinha,Parabens, você pra mim é o orgulho cearense na arte do cordel e os marmanjos que se cuidem. Beijo no seu coração, fique com Deus. estava de férias, voltei agora e vou postar todas estas maravilhas no meu blog para deliciar meus leitores.

Fatita Vieira disse...

Dalinha,

Publiquei seu desafio a Rosário no meu blog.

Beijos!

Estela disse...

Dalinha,
A Mulher supera o homem
nessa arte de cordel
que faz com delicadeza
e com toda realeza
vai perfumando o papel...

Bjs.