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terça-feira, 3 de junho de 2008

ERA UMA VEZ UMA TIMBAUBEIRA


Foto:flickr.com

Era uma Vez uma Timbaubeira

Hoje quem sai de Ipueiras e pega a estrada da Floresta rumo aos lugarejos: Chico Pereira e Arroz, não encontra mais a exuberante timbaubeira que encantava os olhos daqueles que por ali passavam.

Bem na encruzilhada, exibindo seu viço, seu verde e seu imenso tronco, o pé de timbaúba viveu por mais de trinta anos até que a fome de um machado inclemente a transformasse em reles troncos jogados ao chão.

Quantas vezes no alpendre da casa grande, que ficava ao lado, deitada numa rede, presenciei o espetáculo divino da lua nascendo por detrás de suas folhagens.Quantas vezes o canto dos pássaros que ali pousavam fazendo seus ninhos, encantaram-me os ouvidos e quantas vezes vi montarias amarradas ao seu tronco, daqueles que por ali passavam para um cafezinho ou um copo d’água.

Só que essa timbaubeira, não nasceu do nada. Não eclodiu, não brotou sozinha. Não. Essa timbaubeira foi uma mudinha, plantada por um menino chamado Vilmar, num chão duro, seco, terra de barro vermelho onde a difícil brotação é uma verdade.

Esse mesmo menino, muito jovem mudou-se para Brasília. Entre trancos e barrancos, na dureza de um chão vermelho, também plantou sua vida. E, apesar dos golpes do destino, consegui colher frutos maravilhosos que hoje dão sabor e sentido a sua existência.

Cada vez que ele voltava a sua terra sentia orgulho de sua façanha. Aquela árvore ali plantada, era a prova viva da resistência do nordestino, que sobrevive a calamidade das secas e consegue fazer ninhos em outras paragens sem esquecer suas raízes. Ali, ele, estava plantado, ali, ele escrevera sua história, que hoje contará picotada aos seus filhos.

No último janeiro Vilmar viu sua árvore alegre e fagueira brincando ao vento, outros janeiros certamente virão, mas o pé de Timbaúba, marco em sua vida, virá apenas na lembrança.

5 comentários:

Anônimo disse...

Dalinha esta bela, nostálgica e ecológica crônica me faz lembrar das crôas com seus inúmeros pés de manga, hoje não mais existentes. Gostaria eu de ter escrito Era uma vez uma timbaubeira, um belo relato de como nossas emoções se mesclam a existência das árevores. Mais uma vez parabéns pelo trabalho.

Bérgson Frota

Dalinha Catunda disse...

Bérgson,
Você sabe que visto a camisa de Ipueiras talvez até fanaticamente, como um flamenguista ou um coritiano.
A natureza bordou nossa cidade com cores maravilhosas.Nossa Ipueiras era salpicada de verde, mas o progresso, não soube ou não quis conviver com nossas carnaubeiras que aos poucos foram sendo expulsas da cidade. Assim vão-se as carnaubeiras, mangueiras. E nós, que temos o dom da palavra não podemos calar nosso grito de alerta.
Um abraço,
Dalinha

Lurdinha disse...

Linda esta crônica protesto contra os desmatamentos, Dalinha amo seus trabalhos, sobre o jatobá sobre as árvores, é pena que ainda poucos se sensibilizem com seu grande talento. Beijos e sucesso.

Jean Kleber Mattos disse...

Eh! Meu amigo Vilmar! Sensibilidade e responsabilidade. Vejo-o quase todos os dias aqui em Brasília. Grande figura, e uma comovente narrativa de Dalinha sobre um episódio da vida em Ipueiras. Jóia.

Oliver Pickwick disse...

Uma bela crônica ecológica com pinceladas de saudável nostalgia.
Um beijo!