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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

CABRA DA PESTE


Foto: sahamia.multiply.com


Cabra da Peste.

Longe do meu Nordeste.
Eu, que sou cabra da peste,
Chorei que nem criança.
Muitas vezes entediado,
Com jeito de abestado,
Puxava pela lembrança.
Com a cachaça do lado,
Entre um trago e um cigarro,
Sozinho e sem esperança.
Ruminava... Matutava...
Oh vida de retirante!
É melhor morrer de fome,
Do que viver como errante.
Ah!... Saudade...
Eu quero o meu roçado,
Eu quero minha Maria.
Meu cheiro de mato molhado
E as noites de cantoria.
Oh Deus! Por favor, me alumia!
O álcool falava mais alto,
E eu, já quase dormia...
Meio ébrio, sonhava e sorria.
Mamãe trás minha rede,
Que eu quero me balançar.
Prepare meu pão de milho,
E capriche no mungunzá.
Se me trouxer tapioca,
Não esqueça o aluá.
Eeeeeeta, porre!
Foi o último que tomei,
Distante do Ceará.
Quando acordei no outro dia,
A única coisa que eu via,
Era o caminho de volta.
E me mandei pro Nordeste,
Pois lá, sou cabra da peste,
E aqui não passo de um bosta.

8 comentários:

Airton Soares disse...

MINHAS DECLAMAÇÕES

Obrigado pelo texto incentivador amiga e confreira,Dalinha. Você e sua arte têm enriquecido muito minha página.
- - - - - -
A peleja está um `barato´(Ricardo Aragão - Ipu em Crônica )

Grande abraço
AS

PS

Vou entrar agora em sala de aula, mas com certeza volto para sorver "cabra da peste" < adoro esta expressão. Vira-e-mexe cito-a em meus escritos.

Jean Kleber Mattos disse...

Estes versos ja abrilhantaram o Suaveolens. Nunca é demais enaltecer a coragem e a saga do retirante e V. faz isso muito bem. Abração.

Bérgson Frota disse...

Mais uma bela poesia regional. Parabéns.

Ricardo Aragão disse...

Eita como é gostoso ler a Dalinha!

Versos magistrais falando de coisas que só fala quem viveu e conhece.

Dalinha, conheci você há pouquíssimo tempo (e só virtualmente), mas já a tenho em grande conta, principalmente pelo VALOR que você dá às coisas de SUA TERRA, Ipueiras*. Mas também pela afinidade que temos pelo cordel e literatura em geral.

*A propósito, minha relação com Ipueiras transcende à vizinhança com o Ipu. Minha avó materna morou em Ipueiras, trabalhou na farmácia do Sr. Hidálio (me corrija se eu estiver errado). Aliás, a ponte sobre o Jatobá tem o nome dele, não é? Além disso, meu avô, Antônio Carvalho Martins (filho de Abílio Martins) tinha propriedade em Ipueiras (Fazenda Carão), onde minha mãe nasceu. Como se não bastasse, meu pai tem terreno no município de Ipueiras, Faz. Belo Horizonte, próximo aos Viados. Ah, quando jovens, minha mãe e tios passavam as férias na Fazenda Pitombeira, do Sr. Mundinho Alves. Como vê, Ipueiras tem tudo a ver comigo. E eis que conheci a amiga Dalinha, com quem tenho aprendido muito sobre versos.

Dalinha, me empolguei e acabei fazendo deste comentário um verdadeiro jornal. Desculpe.

Um abraço.
Ricardo Aragão

O Profeta disse...

Poesia com original aroma tropical...


Doce beijo

Dalinha Catunda disse...

Airton Soares, Eu que me sinto agradecida por você abrir suas portas, para minhas participações. Assim eu vou bebendo um pouco da cultura inserida em seus blogs.

Valeu Jean Kleber, é um prazer grande postar e ser co-gestora do Suaveolens. Ser sua amiga é um presentão.

Bérgson obrigada por ser uma presença cativa em meu blog.
Sua amizade foi e sempre será importante.

Ricardo,
Você foi o fio da meada a me indicar o caminho de volta a nossa familia que tem fortes raizes na cidade do Ipu.

Realmente temos em comum o gosto pela cultura popular, e se tudo correr como esperamos, breve os blogueiros amigos poderão opinar sobre nosssa parceria numa peleja, ao meu ver, bem interessante.

Seu Idálio, hoje já falecido, tem uma ponte que leva seu nome.E, teve por muito tempo uma farmácia e era, digamos, um quase médico em Ipueiras.

Bom saber que Celininha é Ipueirense e que vocês tem todo esse envolvimento com Ipueiras e certamente, haverá oportunidade,de fazer essa reaproximação da familia no real, tenho muita vontade de Rever Boris e conhecer de perto a Celinhinha, que teve uma linda história com seu pai, que pelo jeito, sera "pra todo o sempre".

Se soubermos usar a internet, ela será um ótimo espaço a unir pessoas, familias e praticar a amizade.

Profeta, Obrigada pelas mágicas visitas

Ricardo Aragão disse...

Certamente, Dalinha. Em sua próxima visita à Ipueiras, me comunique, pois teremos muito prazer em recebê-la em nossa casa. O papai e também a mamãe, porcerto, adorarão esta visita. Um abraço e, mais uma vez, parabéns pela efervecência com que escreve versos.

Seu parceiro de peleja,
Ricardo Aragão

Anônimo disse...

Thanks :)
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