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terça-feira, 16 de junho de 2009

ALMA PENADA, CRIANÇA PENANDO




ALMA PENADA, CRIANÇA PENANDO

Menina mijando na rede,
até mocinha ficar.
Descasquei muito tijolo,
e, háaaaaja lençol pra lavar.!

Não adiantava prometer surras,
nem me fazer limpar chão.
Porque eu mijava na rede,
com medo de assombração.

Minha mãe me falava de alma,
que batia nas panelas.
E, no meio da madrugada,
abria porta e janelas.

Minha Tia catequista,
me ensinava a oração.
Mas também falava de diabo,
com espeto de fogo na mão.

Sempre à boquinha da noite,
com cadeiras na calçada.
A família reunida,
falava de alma penada.

Desenterravam defunto,
que não tinha mais nem o pó.
Deixavam as pobres crianças,
num medo de fazer dó.

Era alma dando botija.
Alma pegando no pé.
Alma querendo reza,
e eu rezando com fé.

Até meus dias de hoje,
não vislumbrei uma só alma.
Por isso perdi o medo,
meu sono é pleno de calma.


Texto de Dalinha Catunda
________________________________________________
Foto assombração: www.postais.info/step1.asp?cat_fldAuto=99...

5 comentários:

Victor Gil disse...

Oi Dalinha.
Teu poema me lembra minha infancia. Também nasci no campo, no meio dos contos das almas penadas que apareciam nas sombras da noite. Você diz que nunca as viu, mas eu acho que cheguei a ver algumas ahahahaha...
Beijos
Victor Gil

Valter Montani disse...

Muito legal seu poema Dalinha
na minha infância, também molhei colchão, mas não era de medo. Quando criança tendemos a fantasiar e enxergar coisas
que não existem....ou será que existem?
A gente se torna adulto e as dúvidas permanecem e as vezes até fortalecem.
Mas isso não importa, o que vale e curtir cada momento da vida sem deixar para trás nossa criança querida. bjs

João Ananias disse...

Nunca vi uma alma penada, mas já tive muito medo delas quando criança. Confesso que tinha vontade de encontrar uma que me desse uma botija, mas logo vi que tudo não passava de lendas. Hoje posso ouvir contos de alma penada, terror e outros e dormir tranquilo, não dou credito mais pra esses tipos de contos, apesar de não duvidar de nada. Belo poema.
Abraços.

Elaine disse...

Olá!
Estou passando para conhecer seu blog um pouco melhor.
Vi que você posta muitos poemas, né? Eu amo, acho que eles dizem tudo o que às vezes a prosa não consegue.
Beijos e fique com Deus.

Tais Luso de Carvalho disse...

Alma penada, defunto... não: eu não molhava o colchão; me socava debaixo do banco no canto da mesa, onde só cabia eu e meu cachorro!

Engraçado como nunca desgrudamos de nossos medos; apenas os substituímos. Só que agora eles são reais.

Beijos, Dalinha
tais