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domingo, 28 de setembro de 2008

MANDACARU, SIM SENHOR!


Imagem retirada do site:canudossemiarido.blogger.com.br

MANDACARU, SIM SENHOR!

Não dou sombra nem encosto,
Mas não vejo defeito em mim.
Tenho um verde exuberante.
Meu fruto é da cor de carmim.
Minha flor esbranquiçada
Dignifica qualquer jardim.

Dono de uma beleza agreste.
No sertão enfeito caminhos.
Tenho um caule suculento,
Todo bordado de espinhos,
Entre pedras broto e cresço
Nem com a seca eu definho.

Sou um fiel representante
Do forte povo nordestino.
O verde traduz esperança,
Vermelho a grande paixão,
De uma gente que tanto adora:
Sua terra, seu mundo, seu chão.

Os espinhos são as agruras,
Do sertanejo tão sofredor.
A paz vinda com as chuvas,
Represento em minha flor.
Ninguém melhor do que eu,
O nordestino representou.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

PELEJA VIRTUAL DE RICARDO E DALINHA


Arte da capa Chico Parnaibano

União de Versos
Farinha do Mesmo Saco
DC
Você eleitor que repete,
Que todo político é ladrão.
Mas vende ou troca o voto,
A cada nova eleição.
Você é igualzinho a eles,
Não vale nem um tostão.
RA
Apreciei por demais
Estes versos da Dalinha,
Que para mim é capaz
De escrever mais de cem linhas
Falando do velho ou rapaz,
Que vendendo o voto se alinha
A quem a proposta lhe faz.
DC
Filho nobre do Ipu,
Que tem o verso perfeito
Cem linhas ainda é pouco,
Mas nós temos o direito
De alertar a consciência
E apostar na decência
No que vota e no eleito.
RA
Não custa nada lembrar,
Que atitude tão feia,
De vender ou de comprar
A consciência alheia,
Fere as leis do lugar
E leva para a cadeia
Quem assim se comportar.
DC
Não é besteira é um fato,
Mas preste bem atenção
Tanto o eleitor safado,
Como o político ladrão
Mesmo sabendo que é feio
Quer pôr a mão no alheio
Ser gigolô da nação.
RA
Não sei quem é mais safado
Nessa tal corrupção,
Se o eleitor iludido
Ou o político ladrão,
Que vende e compra voto
Nos tempos de eleição.
DC
Sei que não se discute,
Política, futebol e religião.
Mas vale a pena lembrar
E mostrar a população,
Que sua arma é o voto.
Seja vivo e não devoto,
Não aceite enganação.
RA
Mas será que o eleitor
É mesmo tão iludido?
Se vende a consciência
Ao candidato bandido;
Que paga pelo seu voto
Achando que é bonito?
DC
Votar com consciência
É pensar em sua cidade.
Aposte então na decência
E também na qualidade
Assim ficará satisfeito
Ao eleger um prefeito
Que tenha capacidade.
RA
Só trás atraso ao povo
E ao seu querido torrão,
Quem faz o que é errado
Em tempos de eleição:
Vender seu voto sagrado
Por merreca ou por milhão
DC
Nem todo político é safado.
Nem todo eleitor é vendido.
Por isto faz bem estudar,
A história do escolhido.
Se for honesto, trabalhador,
Um bom cidadão de valor,
Merece ser bem sucedido.
RA
Esse sim merece ter
Qualquer sorte infeliz,
Já que não tem o direito
De lutar pelo que quis,
Pois vendeu o bem maior
Seu direito a ser feliz.
DC
Direito qualquer um tem,
Só não luta quem não quer.
Repito isso pra homem,
E também para mulher.
Veja bem se o candidato
É homem de cumprir trato,
E encarar o que der e vier.
RA
A felicidade suprema
Só chega a quem acredita.
Mas um conselho eu dou:
Dê sempre boa guarida
E guarde na consciência
Os votos que deu na vida.
DC
Os votos que na vida dei,
Foram de bom coração.
Se um dia elegi rola-bosta
Não foi esta minha intenção.
Besteira só uma vez se faz
Pois para lábia de incapaz,
Eu mesma não caio não.
RA
Desta vida só se leva
A verdade verdadeira.
Vender ou compra o voto
Achando que é besteira,
Em vez de subir na vida
Se desce grande ladeira.
DC
Vender e comprar voto,
É atitude de um incapaz.
Não é bem dessa maneira
Que a boa política se faz.
Seja um honesto cidadão
Que zela bem o seu chão,
Esqueça a ambição voraz.
RA
Ah! Que sorte tem um povo
Que escolheu um cidadão.
Que por não comprar voto
Nos tempos de eleição.
Vira um político correto,
Que merece aclamação.
DC
Se o povo tem muita sorte
Muito mais tem o cidadão.
Que Por ser bem criado,
Pode mostrar a população.
Que com sua honestidade,
Pode dirigir uma cidade,
Um estado e até a nação.
RA
Quem procede desta forma,
Com decência e com cuidado,
Não corrompendo ninguém,
Não deixa o povo enganado,
Merece ser bem querido,
Sendo pra sempre lembrado.
DC
O passado de um político,
A vida que ele antes levou,
É o melhor cabo eleitoral
Para esclarecer um eleitor.
Por isso quem for decente,
Honesto e bem competente,
Posso dizer: Já ganhou!
RA
E o povo que tiver
Um político desse porte,
Deve sempre agradecer
E se achar um povo forte,
Por ser bem representado
E ter quem lhe dê suporte.
DC
Se você quer bom político,
Também seja bom eleitor.
Vote, mas com consciência.
Não se esqueça do seu valor.
Não se troque por telha e tijolo.
Não seja apenas um rebolo.
Esmola enfraquece o pudor.
RA
Já aquele que não cuida
Em praticar coerência,
Deve ficar no relento
E não ter benevolência
Daquele que foi eleito
Sem usar de boa decência.
DC
Só serei benevolente
Em matéria de eleição.
Com o cidadão honesto,
Que não suporte armação.
Que faça o sinal da cruz,
E faça oração pra Jesus
Pra se livrar de ladrão.
RA
Já não tem mais o direito
De reclamar um pedido,
Para quem o voto vendeu
Tal direito é perdido,
Devendo se contentar
Em ser eleitor vendido.
DC
O eleitor que se vende
É só um pobre coitado.
Que na escola da vida,
Estudou sem resultado.
Aprendeu a ser pidão,
Apóia político ladrão,
E é o puxa-saco falado.
RA
Por tudo isso eu suplico
Ao eleitor da nação,
Que na hora de votar,
Nos tempos da eleição,
Escolha bem direitinho,
Prestando muita atenção.
DC
Escolha eleitor amigo
Não tenha medo de errar.
Escolha usando a razão,
Não sem antes analisar,
A verdadeira condição
Desse candidato à eleição,
Que seu voto vai levar.
RA
Pois o voto é um momento
Dos que temos mais sagrado.
Só demora um tiquinho,
Porém se votar errado
Vais esperar muito tempo
Para ser recuperado.
DC
Esse sagrado momento,
Jamais deve ser perdido.
Seu voto é uma relíquia.
Por isso faço um pedido:
Preste bastante atenção,
Ao chegar a eleição,
Não dê seu voto a bandido.
RA
Tanto tempo não se tem,
Pois o tempo não retorna.
O que se perde é perdido,
Já ficou fora de hora.
Como aquele voto vendido
Naquela maldita hora.
DC
De quatro em quatro ano,
Acontece a renovação.
Não vá apertar uma tecla,
Clicando em um ladrão.
Pois fará a infelicidade,
Do povo de uma cidade
Que irá penar sem opção.
RA
Por isso caro eleitor,
Pare, pense e repense
Muito antes de votar.
Pois no final só quem vence
É quem escolher direito
A quem o voto pertence.
DC
Se você escolher certo,
Respeitável cidadão.
Vai trazer muita alegria
Ao seu querido torrão.
Vai viver sem embaraço,
Também não será palhaço
Servindo de mangação.
RA
Sendo assim ganha o povo,
Uma grandiosa sorte.
De ser bem representado
Por um político forte,
Eleito pelo seu voto
Sem ter lhe dado calote.
DC
Me Chamo Dalinha Catunda,
Também me assino Aragão.
Sou natural de Ipueiras,
E é com grande satisfação,
Que apareço com Ricardo
Escrevendo esse bocado
De versos sobre eleição.
RA
Eu sou filho do Ipu.
Sou Ricardo Aragão.
Conhecer Dalinha Catunda
Me trouxe grande emoção!
Poetiza e Escritora,
No cordel é uma doutora,
Nunca escreve verso em vão!
DC
Ricardo muito obrigada,
Pelo carinho e atenção.
Estamos nós dois unidos
Pois somos os dois Aragão.
A você um grande abraço.
No cordel atamos laços
Que jamais se soltarão.
RA
Minha querida Dalinha,
A quem deixo meu apreço,
Até parece que em dias
Da vida toda a conheço.
Fique certa, minha amiga,
Que as coisas boas da vida,
Todas elas te ofereço!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

É PRIMAVERA


Foto: acervo do blog

É Primavera

A passarada cantou cedo.
O sol brilhou no infinito.
A brisa se fez presente,
A manhã se fez bonita.

Sumiram-se as nuvens.
De azul se vestiu o céu.
As borboletas em festa,
Faceiras voavam ao léu.

As flores desabrocharam,
Colorindo matas e jardins.
Os sonhos se renovaram
Fagueiros dentro de mim.

É a beleza da primavera,
Que volta a cada estação
Impulsionando os sonhos,
E incentivando o coração.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

CIRCE, EU E A FESTA


Foto enviada por Circe

Amigos,

Circe foi uma das boas surpresas que tive em minha festa.
Alegre, simpática, cheia de apetite e inteirona.
Fiquei muito feliz com a participação desta amiga, que só conhecia pela internet.
Como havia lhe falado, Circe, seria, como foi, uma festa popular.
Meu contentamento foi imenso em poder juntar família, amigos e companheiros da ABLC.
Como nordestina, assumida, optei por oferecer comidas típicas da terrinha.
“O Biscoito branco delicioso que desmanchavam na boca, é conhecido em minha cidade com ‘BULIM” e feito com goma.
Não deixei que faltassem os tradicionais salgadinhos, mas o pessoal babou mesmo foi com as comidas típicas.
Meu muito obrigada a Circe e aos que lá estiveram.

Dalinha Catunda


Pessoal:

A posse de Dalinha foi muito linda, interessante e emocionante.
Eu estava lá.
Teve discurso lido, falação improvisada, leitura de cordel, música tocada e de cantoria, com todos acompanhando. Pessoas inteligentes, de linguagem fluente e rica, principalmente ao se falar do Brasil e do Nordeste. Pessoalmente, adorei! Nos finalmente, teve uns comes e bebes pra ninguém botar defeito : salgadinhos variados e um maravilhoso pastel de carne, bem doméstico, como a gente gosta, arrematado com um
"baião de dois " e tudo feito pelas mãos de nossa querida Dalinha. ( esse último)eu não consegui comer, de tão satisfeita que já estava;) Sem esquecer o bolo de macaxeira e uns deliciosos biscoitinhos brancos que desmanchavam na boca .

Tem retrato meu com ela, mas ainda não está no computador. Cá entre nós, não entendo essas "modernices"; celular pra mim é para ligar ou receber telefonema ; foi a cunhada quem tirou , agora tenho que esperar, mas depois mando pro site da ABLC .

Fiquei cativa, fan de carteirinha e irei lá sempre que puder.

Abraços

circe

20 Anos de ABLC e Posse de Dalinha Catunda


Mena entrega o diploma à Dalinha e o presidente Gonçalo, o medalhão, tudo ao som do cavaquinho de Fábio Sombra.



O presidente Gonçalo mostra a homenagem do colegiado aos seus 20 anos de dedicação à ABLC. Tudo ao som do violão da Madrinha Mena.



O colegiado presente, em sentido horário: Paula Schuabb, Balbino Neto, madrinha Mena, presidente Gonçalo, Dalinha, Ubiratan, Campinense, Ivamberto, Aragão, Chico Sales, J. Victtor, Fábio Sombra, Maria Luiza e Fernando Assumpção.



:: 20 anos da ABLC e posse de Dalinha Catunda.

Sábado, dia 20 de setembro foi realizada a posse da mais nova acadêmica Dalinha Catunda. Na mesma festividade tivemos também a comemoração dos 20 anos da ABLC, na verdade feitos no dia 7 de setembro. A plenária foi realizada em tom de festa, e que festa. Desde a posse do acadêmico Antonio Francisco não se via tanta confraternização, com a presença do colegiado e muitos convidados.
Fonte: site da ABLC

Um Agradecimento Especial


http://i18.photobucket.com/albums/b147/lualmo/obrigada.gif



Um Agradecimento Especial

Ninguém brilha sozinho, e neste momento sinto-me a própria lua dependente do sol.
Uma festa por menor que seja, depende de uma produção e nessa produção, eu contei com uma enorme ajuda. Ajuda essa que veio do meu companheiro de anos, tantos anos que já não se conta nas mãos. Falo companheiro, porque mais do que companheiro ele tem se tornado cúmplice de meus sonhos.

Se na vida ele sempre foi um ótimo marido, e um pai maravilhoso, hoje se revela um cúmplice indispensável nessa minha caminhada literária.

Foi ele que se esmerou para que minha roupa ficasse pronta. A fartura que se viu na mesa da posse foi idéia dele. Ainda brincava: “tenho que caprichar que a mulher agora é imortal”. As pessoas que me ajudaram foram contratadas por ele. Enfim, tudo teve o dedo dele. Essa festa que pude oferecer aos amigos foi um presente que ele e deu.

Muitas vezes temos gratidão e não temos a palavra certa para agradecer os que nos contemplam com a felicidade. Ou muitas vezes sentimos certo acanhamento em demonstrar nossos sentimentos. Mas hoje eu não poderia publicar nada sobre essa festa, sem antes agradecer de coração a pessoa que me deu uma linda família e que hoje junto comigo viaja nos meus sonhos.

Luis, Obrigada por fazer parte da nossa família, de ser nosso anjo da guarda zelando pelo nosso bem-estar e obrigada a Deus por você existir.

Os louros foram meus, mas não tenho dúvidas da sua grande participação nesses acontecimentos. Obrigada mil vezes.

domingo, 21 de setembro de 2008

Homenagem ao Dia da Árvore


Imagem retirada do site de Unai-MG.

Árvore Ferida

Quando precisou de sombra,
Minha copa lhe abrigou.
Agarrado ao meu tronco,
Da tempestade escapou.

Comeu da minha fruta.
Cheirou a minha flor,
Mas de posse de um machado
Sem piedade me acertou.

Aos golpes de tal machado,
Indefesa fui ao chão,
Porém ficaram as raízes,
Que por certo brotarão.

Um dia quando seu corpo
Inerte também tombar,
Minha madeira cortada
Seu invólucro então será.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

POSSE DA DALINHA NA ABLC


Foto: acervo da ABLC
AMIGOS,
Sempre tive muito orgulho de ser NORDESTINA e sempre gostei de louvar minha terra e minha gente. Entrar para a ABLC é continuar falar a língua do meu povo e espalhar por esse Brasil a fora minha nordestinidade.
Sinto-me feliz e gostaria de dividir com todos vocês esse momento de alegria.
NOTÍCIA
20 anos de ABLC e posse da nova acadêmica Dalinha Catunda.

Dia 20 de setembro de 2008 é o dia da comemoração dos 20 anos da ABLC e da posse da mais nova acadêmica, Maria de Lourdes Aragão Catunda. A data de fundação da instituição é 7 de setembro, porém o calendário foi ajustado para ir de encontro à posse da nova acadêmica.

Nascida na cidade de Ipueiras, interior do Ceará, Dalinha Catunda, como é conhecida e assim assina suas produções, é mais uma mulher a se tornar imortal ocupando a cadeira de numero 25 que tem como patrono Juvenal Galeno, poeta e folclorista cearense.

Dalinha Catunda publica há mais de sete anos, como colaboradora, no Jornal O Povo e no Diário do Nordeste, jornais de grande circulação da capital cearense. Atualmente publica em vários blogs e sites entre eles o Nordeste Rural.

Entre seus títulos publicados de cunho engraçado e picante constam: O Forró de Zeca, O jumento do Maurício, A Panela Remendada, A Rosa Apavorada e A Donzela Que Virou Índia.

Fonte: ablc.com.br

MEU BAIO


Foto e Cavalo de Luiz Garcia. Amazona, Dalinha.

Meu Baio

Ele olhou nos meus olhos,
Nos olhos dele olhei.
Que era xucro, eu sabia,
Não tive medo, montei.
Dos seus movimentos bruscos,
O ritmo acompanhei.
Encantava-me a impetuosidade.
Não caí, nem escorreguei..
Bem mais do que oito segundos,
Em cima do bruto fiquei.
Hoje não pode me ver,
Que já relincha pra mim,
Pois sabe que no meu pasto,
E dele o melhor capim

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Bento Raimundo e Edilson Vieira Mestres na Sanfona


Edilson Vieira Sanfoneiro e cantor


Bento Raimundo Sanfoneiro Repentista e cantor.

Fotos: Acervo do blog

Bento Raimundo e Edilson Vieira
Mestres na Sanfona

Fui um forró pé-de-serra
Lá pras banda de Ipueiras.
Foi um forró bem animado
Muito boa a brincadeira,
Tocava Bento Raimundo,
E também Edilson Vieira.

Nunca vi forró melhor,
Foi de levantar poeira,
Uma hora tocava Bento,
Outra era Edilson Vieira.
Era um rebolar de quartos,
Que dava nó nas cadeiras.

Um sujeitinho reclamou
Que Bento tocava sentado,
Bento arrochou a sanfona
Deixando o forró animado,
Num instante calou a boca
De quem conversava fiado

Edilson entrou cantando,
Seu bom forró de Jericó.
Bento com o Mela-Mela,
Nem sei qual cantou melhor.
Só sei que as duas sanfonas
Incendiaram o tal forró.

A sanfona velha gemia
O povão todo dançava.
Ao sair Edilson Vieira
Bento Raimundo pegava.
Com essa dupla tocando
Ninguém de lá arredava.

Teve uma hora que os dois,
Resolveram tocar juntos.
Naquela hora eu lhe juro
Lá só não dançou defunto!
Bento com Edilson Vieira,
Tocaram e tocaram muito!

Bento e Edilson Vieira,
São relíquias do sertão
Sanfoneiros de Crateús
Prestigiados pelo povão
Cantam e tocam o novo,
Sem esquecer a tradição.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

NOTÍCIAS DO MUNDO DO CORDEL


Acima, a equipe do projeto: Alexandre Mofati, da Ofício Produções; J. Victtor, coordenador executivo; Mariana Taboada, arte-finalista; Gonçalo Ferreira, curador; Madrinha Mena e Paula Schuabb, colaboradora.


As acadêmicas Rosário Pinto, Dalinha Catunda e madrinha Mena. Na direita, Miguel Bezerra e o presidente Gonçalo.

Evento do lançamento do livro 100 Cordéis Históricos Segundo a ABLC.


Terça-feira, 9 de setembro, foi realizado o evento comemorativo do lançamento do livro 100 Cordéis Históricos Segundo a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na livraria Odeon, Cinelândia, Rio de Janeiro. O projeto teve o patrocínio da Petrobras, realização da Ofício Produções e apoio do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, sendo a ABLC a instituição beneficiada.

Coube ao presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira da Silva, autografar os exemplares vendidos na festa, que contou com a presença do colegiado da ABLC e diversos convidados, tudo animado pela viola do repentista Miguel Bezerra. Os pedidos são feitos pelo e-mail: contato@ablc.com.br.

Fonte: www.ablc.com.br

EXCELÊNCIA



EXCÊLENCIA

Nem todo político é safado.
Nem todo político é ladrão.
Mas se fosse outro o país,
Muitos estariam sem mão.

Se muitos aceitam insultos,
Meu amigo preste atenção.
É porque não há inocentes
Mas sugadores desta nação.

Confesso que já nem sei,
A verdadeira tradução,
Da palavra excelência,
Que escuto em televisão.

Os vejo de terno e gravata,
Falando em nome da nação.
Em pouco tempo os vejo,
Engaiolados como ladrão.

Peço encarecidamente
A quem sabe, pois não sei,
A tradução de excelência.
Tão usada em certas greis.

Não sei se sou insolente
Em minhas indagações,
Contudo seria excelente,
Se me dessem explicações.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

CANTORIA EM IPUEIRAS




Fotos de Carlos Moreira

Ipueiras anda abrindo espaço para as velhas cantorias e tem agradado em cheio a um publico que continua fiel as velhas tradições.

Cantoria em Ipueiras

Foi lá nas Ipueiras
No interior do Ceará.
No bairro da estação
Bairro bom do lugar.
Onde dois cantadores
Armaram-se pra brigar.

A arena fora montada
Numa calçada descente
O velho Messias Sales
Foi quem recebeu a gente
A calçada estava cheia,
E ele sorria contente.

Ele, o pai de Edilson
Bom poeta e locutor,
Que com sabedoria
A peleja organizou.
Mostrando a Ipueiras
Da cantoria o valor.

O cenário bem sertanejo
Mexeu com meu coração,
Tinha pote enfeitando,
Também panela e pilão.
E um quadro bem bonito
Lembrando nosso sertão.

Os cantadores chegaram
Com as violas nas mãos.
Nos bancos se ajeitaram,
Começaram a afinação.
E o povo compenetrado,
Neles prestavam atenção.

Então veio Edilson Sales,
Fazendo a apresentação:
Esse aqui é João Batista,
Do Lima Junior irmão.
Este outro é Dal Costa
Bom cantador do sertão.

Lima Junior é um locutor
Que faz “O Velho de Setenta”.
Um personagem engraçado,
Que no rádio ele apresenta,
Não tem papas na língua
Faz o que lhe da nas ventas.

Não se deu exatamente,
Uma peleja uma briga.
Era uma moda de viola,
Repleta de belas cantigas.
Cada uma mais bonita,
Algumas eram antigas

Quando a viola tocava
Acompanhando a canção
O povo botava dinheiro
Na boca do velho pilão
A fartura era tamanha,
Vi até dinheiro no chão.

Um envelope recheado
Mandou Chico Coité.
Estava lá Chaga Jovino
Com sua bela mulher.
Zeca Frosino cubava,
O movimento em pé.

Pertinho dos cantadores
Eu vou contar pra vocês,
Sentou-se o seu De Assis,
Vindo lá do Vamos-Ver
Toinha e Maria Leitão
Também pude perceber.

Eu vi Quindô Miranda,
Batendo palma feliz.
Carlos Moreira batia,
Foto com direito a bis,
Ed Foto Filmou tudo,
Até dedo no nariz.

Eu vi bem seu Araujo
Em seu táxi recostado.
O cantor Tony Aragão,
Passou por lá apressado.
Vi o Itamar de seu Zeca
Zanzando pra todo lado.

Num canto avistei Nilza,
E Enoque perto da porta.
Também apareceu por lá,
O Luis de Nonato Doca,
Cristina de João Cazuza
Também tava na fofoca.

Ilze com sua Corrinha,
Sentaram-se ao meu lado.
Ele tomou um cafezinho,
Ela um guaraná gelado.
Meu morador, Zé António,
Zanzava já bem calibrado.

Muita modinha bonita
Na boca do cantador,
Com a “Casa Amarela”,
Muita gente se emocionou.
Com “Jesus e Tiradentes”
A platéia se arrepiou.

A moda “Toalha de banho”
O povo todo aplaudiu,
Mas todos se Calaram
Quando o Chaga pediu.
“Despedida de Vaqueiro”
Que emocionou quem ouviu.

Edilson bom anfitrião
Serviu ao povo presente.
Um cafezinho gostoso,
Cheiroso forte e quente,
Pipoca e refrigerante,
Batida e até água ardente.

Meus parabéns Edilson,
Pela noitada de alegria.
Distante de minha terra
Há muito tempo não via
Nas noites enluaradas,
Os repentes e cantorias.

Preservar nossas raízes,
Lutar pela nossa cultura,
É não perder a identidade.
Não ser uma caricatura.
É mostra a nossa cara,
Com direito a assinatura.

Sou Dalinha Catunda,
E também sou Aragão.
Adoro tudo que existe
No meu pequeno sertão.
Estarei sempre brigando,
Sempre engajada e lutando
Pelos costumes deste chão.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

OUTRA PÁTRIA


Imagem pinçada do: maresertao.blogspot.com

OUTRA PÁTRIA

Dalinha Catunda

Amar com fé e orgulho,
A terra em que nasci.
Aprendi ainda na infância,
Nos hinos e poemas que li.

Ó minha pátria sagrada,
Cadê teus encantos mil?
Poluído e acinzentado,
Hoje vejo teu céu de anil.

Teus rios, mares e florestas,
Carecem de preservação.
Na natureza não há festa
Predomina a devastação.

Se a boa terra jamais negou,
A quem trabalha seu pão.
Por que fazer do nosso pobre,
Um reles parasita da nação.

Sonegando-lhe trabalho,
E humilhando o cidadão.
Que recebe bolsas e vales
Enterrando o orgulho no chão.

Quem não vive do trabalho,
Do seu suor e da sua mão,
Não pode ter amor próprio,
Nem orgulho da sua nação.

Como imitar a grandeza,
Dessa terra em que nasci.
Se o exemplo lá de cima
Na verdade ainda não vi.

Por isso eu digo e repito,
Aos dirigentes da nação.
Primeiro dêem exemplo
Depois cobrem ao cidadão.

O que li de Bilac é passado,
Sentido não vejo agora.
Minha pátria hoje é outra.
Tenho saudades d’outrora.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

WALDICK SORIANO


Foto retirada do:todoprosa.blogspot.com

WALDICK SORIANO

Num passado não muito distante, nós, mocinhas do interior,
Éramos surpreendidas no meio da madrugada pelo canto dos apaixonados,
Que nos prestigiavam com belas serestas.

Quem um dia no interior do Nordeste, em certa época, não ouviu de um caboclo apaixonado as canções que diziam:

“Eu não sou cachorro não, pra viver tão humilhado...”
“Fica comigo esta noite, que não te arrependeras...”
“Amigo, por favor, leve esta carta e entregue aquela ingrata e diga como estou...”

Todas essas músicas são do repertório de Waldick Soriano, representante nordestino, pioneiro no romantismo popular, rotulado de Brega.

Waldick Soriano, hoje sobe mais um degrau, foi para o andar de cima, deixando uma legião de fãs desolados com sua partida e uma infinidade de musicas que continuarão sendo cantada por seus seguidores.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Cachoeiras de Macacu em Tempos de Cultura






Foto 4: Dalinha na sala de cine-Teatro Paschoal Guida, iniciando a Palestra sobre cultura popular.
Foto 3: Dalinha ao lado de Michele Nougueira coordenadora cultural e artistas locais.
Foto 2:Dalinha e um Artesão que trabalha com sementes.
Foto 1:Dalinha entre alunos e artistas locais.

Cachoeiras de Braços Abertos

Cachoeiras de Macacu uma cidade privilegiada pela natureza além dos encantos de suas doze serras e seus mais de vinte seis rios, vem se destacando como forte incentivadora de cultura. Não satisfeita com a cultura local tem se dedicado ao intercâmbio entre diferentes culturas.

Dia 22 de agosto dia do folclore, participei de uma palestra sobre cultura popular. Falei sobre cordel. Mostrei em vídeo o lugar onde nasci. Minha querida Ipueiras. Falei desse mundo mágico onde tudo começou e da magia do cordel.

A partir dessa apresentação os convites para saraus e palestras tem se multiplicado, o que me deixa feliz e agradecida à população cachoeirense.

Dia sete de setembro acontecerá o Primeiro Festival Intermunicipal de Poesias, em Cachoeiras de Macacu “CANTOS DE POETAS.” Estarei participando com alguns poemas.

O Evento acontecerá no Centro Intereducacional de cultura e Artes, na sala de Cine-Teatro Paschoal Guida, a partir das 19 h.


Encantada com a acolhida, não poderia deixar de homenagear a Bela Cachoeiras de Macacu. E com um poema bem singular, pois normalmente, só canto a minha terra.

Cachoeiras de Macacu

Trago no olhar agreste
O verde do mandacaru,
O vento das palmeiras,
O sol quente, o céu azul.
Eu que só canto Ipueiras
Quero louvar Cachoeiras,
E as águas do Macacu.

Mesmo cria do Nordeste,
Não deixo de me encantar,
Com tudo que a natureza,
Deu de presente ao lugar.
Pois o verde dessas matas,
Com belas serras e cascatas,
Fez meu queixo despencar

Cachoeiras de Macacu
Berço de tanta beleza,
Tuas serras e teus rios
São dádivas da natureza.
E o teu velho Jequitibá
Tão imponente e singular
É tua imensa riqueza.

Quantos pontos turísticos
A encantar as nossas vistas.
A cachoeira da amorosa.
E a Pedra da Mariquita.
Tem a Pedra do Faraó,
A do Oratório, e não é só,
Tem mais paisagem bonita.

Berço farto da natureza
Repleta de esplendor.
Estava Deus inspirado
Quando esta terra criou.
Não duvido, tenho certeza,
Por isso canto a beleza
Desse recanto de amor.

Cortada pelo Rio Macacu,
Tem um clima sedutor
Obra prima da Natureza
Invenção de Nosso Senhor.
São teus estes versos que faço.
Aqui deixo o meu abraço,
Nessa declaração de amor.